Domingo, 7 de Agosto de 2005

Nostalgia



Nostalgia...é uma palavra que exprime sempre saudade? E ainda que assim seja, exprime tristeza? Não sei, mas estou em crer que não.

Hoje estou nostálgica, mas não estou triste.

Tenho saudades, sim, dos meus tempos de menina. Mas estou a recordar tudo isso, com um sorriso.
Correndo o risco se ser aborrecida, porque o que vou escrever, é extenso, e provavelmente, não vos interessa, tenho mesmo de o fazer! É uma necessidade absoluta, e por isso, peço desculpa!

Tenho saudade dos meus triciclos, das minhs primeiras bicicletas, e dos meus patins de quatro rodas.

Tenho saudade dos meus bichos da seda, que eu guardava religiosamente, em caixas de sapatos.
Tenho saudade dos desenhos que fazia, que oferecia à minha mãe, às minhas avós, e às amigas da escola. Alguns, ainda estão por aí, algures, amarelecidos, guardados em pastas de cartão, feitas por mim.

Sinto uma saudade imensa dos meus avós, e do tempo em que viviam e me faziam tão feliz. Sim, fui uma criança, muito, muito feliz.

Estou a ver a silhueta do meu avô, o seu passo pausado, calmo, a caminho do mercado. Vai comprar-me farturas quentinhas, ele sabe que eu me "perco" por farturas quentinhas...

São nove horas da manhã, hora de abrir a loja. O meu avô, adora que eu vá ajudá-lo.

Parece-me ouvir a gaveta dos trocos.
Sim, naquele tempo, na loja do meu avô não havia máquina registadora. Os trocos e as contas, eram feitas por ele, num papel. E a gaveta, constantemente abria e fechava, ao som do tilintar das moedas, e do seu ranger característico. Era por isso que ele tanto gostava que o ajudasse :" a minha neta, faz muito bem as contas, e nunca se engana!" - dizia, orgulhoso, à clientela.

Tenho saudades, dos serões em casa dos meus avós. À lareira se era inverno, à porta, na rua, se era verão. Serões de muito riso e boa disposição, protagonizados pelo meu avô, que era um contador de histórias, e de anedotas, nato!

Tenho saudade do mercado de Évora.
-Filha, acorda! Vamos a Évora! Vamos na carreira das sete, às nove estamos lá- dizia-me a minha avó.
Eu levantava-me num ápice. Sabia que a ida ao grande mercado de Évora, significava compras! Brinquedos, roupas, sapatos, tudo o que eu pedisse.
À tarde, regressavamos carregadas, e muito felizes. Eu, por ter tudo o que pedi, ela, por me poder dar tudo o que eu quis!

Sinto uma saudade enorme, do "meu" rio Guadiana, e da sua linda praia fluvial, de águas mansas e límpidas, onde eu me misturava com as achegãs, e os barbos! Tenho saudade, porque hoje, essa praia, e o meu rio Guadiana, não existem como antes. A barragem do Alqueva, mudou toda a paisagem...

Tambem tenho saudades das férias em família, com os meus pais, e o meu irmão.
O meu pai, adorava viajar, e quis mostrar-me o mundo. Mostrou, sim! Um mundo tão diferente do que é hoje...tão mais bonito...Paris, Londres, Viena, Milão, Stutgard, Madrid, Barcelona,Andorra...e Portugal inteiro!

"Agora", estou mais crescida, já ando na secundária.
Tenho saudade desse tempo. Dos colegas de escola, e das tropelias. Do professor "panela de pressão", baptizado por mim, que de cinco em cinco minutos, fazia "pssst", para nos mandar calar...tal qual uma panela de pressão ao lume.

Tenho saudade do primeiro namorado, o João, de quem eu fugia a sete pés, para o arreliar!
Tenho saudades, das escalas que fazia em casa da minha outra avó, que morava a meio caminho, entre a minha casa e o liceu, e que eram obrigatórias, por dois motivos: a ida habitual ao w.c...(já em desespero de causa) e as magníficas sandes de carne assada, que a minha avó me preparava com carinho.

E tenho saudade de tantas outras coisas... sobretudo, tenho saudade de mim! Da menina que fui, e que nunca mais vou voltar a ser. Não escrevo isto com tristeza, nada disso! Apenas com nostalgia...


publicado por tia rute às 15:36
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9 comentários:
De patupi a 16 de Agosto de 2005 às 21:12
E vê-se que foste uma criança feliz, porque ainda hoje pareces uma menina. :) Um beijo enorme, madrecita!


De zezinho a 9 de Agosto de 2005 às 22:41
Não te conhecia, o teu cantinho, espero vir a profundar-me mais no meu regresso. Espero-te no meu blog, zezinho


De curiosa paixao a 9 de Agosto de 2005 às 21:43
Acabo de viajar no tempo! como eu tenho saudades de tantas coisas que aí escreveste! é a nostalgia de momentos felizes que nos marcaram para sempre. Beijos para a alentejana de uma algarvia... apenas a planície nos separa!!!


De emmep a 9 de Agosto de 2005 às 05:11
coração de alentejana! a tão conhecida nostalgia que muitos confundem com tristeza.
O que vale é a grande facildade com conseguimos voltar atrás , sem nunca deixarmos de saber que ja estamos em outra epoca que tb nos vai deixar saudades.Um beijinho grande à menina dos caracois louros :)


De Pharaoh a 8 de Agosto de 2005 às 06:08
apenas posso dizer que devoraria livros inteiros por tão lindos serem,,,,,linda loirinha,,,,acho que nos nostágiás-te a todos, e quem quer desnoltalgias assim,,, eu não,,,,adorei q:º)


De margarida_rr a 8 de Agosto de 2005 às 01:06
Olá meus queridos amigos! Obrigada pelas vossas lindas palavras! Não digo mais nada, porque nada mais me ocorre...digo apenas, que sorri, quando vos li...Obrigada! Beijos grandes aos 3 !! PS-Dulce, tenho a certeza que sim, que vou adorar conhecer-te.Acho que temos muito em comum... :o))


De Dulce a 7 de Agosto de 2005 às 23:48
És tão linda! A net dá-me coisas tão lindas e boas! Adoro ler o que escreves, e tenho a certeza que vamos gostar uma da outra quando nos conhecermos "ao vivo" :)


De Carla a 7 de Agosto de 2005 às 22:41
Ai, amiga querida, como podes pedir desculpa por esta partilha tão doce como só tu sabes oferecer? Adorei cada palavra tua e conhecer um pouco mais de ti (não sabia das sandes de carne assada e fiquei aguada!). Continuas linda, óptima contadora de histórias e uns olhos de girassol que encantam quem te conhece. Uma menina grande! Sim, porque com um coração como o teu tem que haver muito da pureza da infância. Um beijo grande, grande.


De Nuno a 7 de Agosto de 2005 às 22:01
Muito bom. Herdaste do avô contar histórias. Há sempre um pouco de menina em ti que não se perde. 1 abraço, pintora


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