Quarta-feira, 4 de Maio de 2005

3ª idade




Sabe-se que o país está a envelhecer.
Todos sabemos, que dentro de vinte anos, a população portuguesa será composta maioritáriamente por idosos, mas nada se faz para inverter esta tendência...

Se por um lado, não há qualquer incentivo, ao crescimento da população jovem, por outro, o abandono dos nossos velhos, é por demais, chocante!

Hoje estive num lar de 3ª idade, e fiquei triste, magoada até, com a realidade que vi por lá.

Um lar caro, onde os idosos que por ali vegetam (não estou a exagerar), pagam muito pela sua, muitas vezes breve, estadia.
Um lar bonito, físicamente irrepreensível, onde reina a disciplina, o asseio, o profissionalismo.
Um lar, feito para receber muitos velhos, certamente idealizado por alguem com grande visão futura....cheio de quartos, salas de lazer (vazias), e todas as condições , para que quem lá viva, possa ter uma vida minimamente condigna.

Mas aquele lar, não tem duas coisas fundamentais: família, e amor!!

Aqueles velhinhos, estão ávidos de uma familia que os acarinhe, que tenha tempo para eles, que os ouça sem pressas, que os ame!

Ali os vi, olhares vagos, denunciando o vazio que lhes vai na alma.
Sentados nas suas belas e fofas poltronas, terrívelmente sós, olhando através da grande vidraça, o campo verde que lhes acena, cínicamente! Tão vazios...

Corpos que se arrastam com vida, mas quase sem alma, por aqueles corredores fora.
Sorrisos que morrem à nascença...lágrimas que já não brotam, porque a nascente secou...

Não era tempo, do estado português dar prioridade aos nossos velhos?! Incentivar a instituição família a cuidar daqueles que um dia foram seus?! Criar condições para que não sejam abandonados por aqueles que um dia protegeram e amaram?!

Sei que é difícil, mas há ainda tanto a fazer!
Se não forem as próprias familias a fazê-lo, porque não, nós? Mais voluntariado para estas situações!

Numa altura em que a taxa de desemprego é tão alta, seria pedir muito ao estado, afectaria assim tanto o orçamento geral, que criasse postos de trabalho, nesses locais, com vista a dar amor, e atenção aos nossos idosos?!

Poderia fazer-se tanto...e nada se faz. Apenas olhamos, e sentimos pena...nada mais!

E dizia a minha avó, ainda que sem razão :

" Os pais quando envelhecem, crescem tanto tanto, que deixam de caber na casa
dos filhos!"

publicado por tia rute às 04:04
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6 comentários:
De OlhoVivo a 9 de Maio de 2005 às 03:06
Como sou filha de gente idosa, devo admitir que em Portugal, a tendência para o desprezo pelos nossos velhotes cresce a passos largos.
Infelizmente, é, por pequenos (para uns) mas grande pormenores para outros que se nota a cada vez maior decadência do País inevitavelmente reflectida nas supostas elites e no desGoverno.
Muitos beijinhos :)************


De liny a 7 de Maio de 2005 às 09:17
Que belo texto, sobre um assunto muitas vezes esquecido. Sim, penso que o estado poderia fazer muito mais! Se se preocupassem mais com problemas emergentes como este, Portugal, seria um país melhor.Bem hajas,beijos.


De emmes a 6 de Maio de 2005 às 17:45
Este tema toca-me muito, reconheço e concordo ctg que a nossa politca não faz o necessário para acompanhar os nossos "velhos", mas acho que o pior nem é isso.
Quando visito os meus avós que estão num lar no alentejo, noto "os ciumes" dos companheiros/as de casa por não terem sequer a visita dos filhos quanto mais dos netos e por ai.
A maior parte das familias, só se lembram dos avós velhinhos na altura dos dias festivos e muitos nem isso(como se ao olha-los naqueles dias os fizessem voltar à infançia, no tempo em que faziam aquelas coisas magicas de nos fazerem sorrir e que guardam como tesouros só desembrulhados nestas quadras).
Quantos de nós estariam dispostos a colocar projectos na prateleira do tempo para dar apoio a alguem que já fez o mesmo?
Eu sei que que as respostas não abundam nem os milagres, mas enquanto não começarmos nós a respeitarmos e amar-mos os nossos idosos
mais ninguem o fará. Tanta coisa para se falar sobre este tema...tanta revolta e magoa... eu sei o que sentiste na tua visita, felizmente no lar que conheço existe afectos juntamente com boas condições fisicas para poderem estar todos, mas noto um grande abandono por parte da familia directa.Familias grandes, bastaria que muitas vezes se combinassem para estar presente um filho ou um neto, já os deixaria com um sorriso de brilho...
Ai vou parar por aqui! um beijinho bem grande comadre da nossa terra :)


De Dulce a 5 de Maio de 2005 às 22:32
Só um p.s.: acabei de te "conhecer" no blog "Os amigos do Irish"...


De Dulce a 5 de Maio de 2005 às 22:30
Há tanta coisa para dizer que só posso ficar calada! Ou quase :) A velhice dói. Até a velhice dos outros nos dói. Não tanto a velhice, se for suave... Pior é a dor acumulada pelos caminhos. A vida. A p... da vida que fabrica solidão e desistência!


De Carla a 4 de Maio de 2005 às 04:54
Que palavras tocantes as da tua avó. Infelizmente, amiga, em muitos casos é assim. Vemos idosos despejados nos hospitais no Natal e Ano Novo. Vemo-los serem tratados sem respeito nenhum nos hospitais só porque não percebem as coisas à primeira. Há quem não entenda o mundo de medo em que vivem, ali sozinhos com medo de ter alguma doença grave. Quem tem que os colocar num lar, deseja que eles sintam que estão numa segunda casa mas infelizmente não é isso que acontece na maioria dos lares. Há voluntariados em lares da terceira idade em que todos ganham 'netinhos' e sabe-lhes tão bem ter aquela pessoa especial que vai lá visitá-los. No fundo só querem poder conversar com alguém... Depois de uma vida inteira de trabalho, merecem que os seus últimos anos sejam lindos, cheios de dignidade, com muito amor e respeito pelo facto de eles existirem. Amor e respeito pelas rugas que têm. Obrigada por este texto tão bonito... e com uma foto que é de uma ternura imensa. Um beijo enorme..


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