Quarta-feira, 13 de Abril de 2005

Três destinos

estrada.jpg

foto de Xavier Sartor


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António, era jovem. Queria casar um dia, ter a sua família, a sua vida. Mas ali, no local onde nascera,e crescera, estava difícil. Encheu-se de coragem, e com dezassete anos, embarcou para terras distantes.

Deixou a sua terra Natal, e entre as lágrimas da mãe, e os soluços sufocados do pai, partiu, naquele navio que o levou aos States.

Arranjou trabalho, começou como ajudante de alfaiate. A vida correu bem.
Alguns anos mais tarde, conheceu Milu, a filha de um português emigrado tambem. Casaram, tiveram duas filhas, Dianne, e Nancy. Foram felizes.

Com o passar dos anos, prosperou. Hoje, é dono de uma cadeia de lojas. A vida sorriu-lhe. Está nos States.
Tem saudades da sua terra, e mata-as de quando em vez, mas voltar, não voltará.

Joaquim, tal como o António, tambem deixou a familia, a terra onde nasceu, Braga.
Tambem ele queria ser "alguem" um dia.

Por entre as mesmas lágrimas de mãe, e soluços contidos de pai, lá partiu, cheio de esperança e muita coragem. Tinha dezasseis anos.

Escolheu a França, como destino; Toulouse.

A vida não foi fácil. Trabalhou, muito, e até passou fome. Viveu em casas que nem janela tinham. Mas conseguiu. Tambem ele conheceu Mariana, e casou com ela.

Hoje é dono de uma empresa de macãnica automóvel, tem três filhos, e uma vida estável e feliz.
As saudades que sente da sua terra, são muitas. Mata-as uma vez por ano, mas voltar, não volta...

Vive em Paris.

Dimitri, tambem quis ser alguem. Tambem sonhou ter uma casa melhor. Svetlana, a sua mulher tinha o mesmo sonho: uma vida melhor.Tambem ela queria que as suas duas filhas, Irina e Anna, tivessem um futuro mais risonho.

Entre lágrimas de despedida, e esperanças renascidas, Dimitri, abandonou a sua terra, a sua família. Algures na Ucrânia.

O seu destino : Portugal.

A chegada não foi fácil. Nada correu conforme o prometido. Gente estranha, língua que não falava, Dimitri sentiu-se muito, muito triste.

Correu muito, bateu a muitas portas. Finalmente um "trabalho"! Não era o que sabia fazer. Que percebe um professor primário, de obras publicas? Nada. Mas foi o melhor que arranjou...

Svetlana, algures na Ucrânia, recebeu a carta. Ficou feliz! Dimitri estava feliz, tinha arranjado um trabalho bem pago.

Os meses passaram....um...dois... Dimitri estava sem dinheiro, sem comida. O patrão desapareceu, não lhe pagou.

Svetlana, estranhou a ausência de carta. Aguardou.
Dimitri está triste. Doente. Não tem dinheiro, não tem trabalho, não tem abrigo, sequer.
Tem saudades, da sua familia, da sua terra.

Vive de esmolas, na esperança de um dia poder voltar à Ucrânia.

Deambula pelas ruas de Lisboa...em Portugal.

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Três histórias que são pura ficção...ou não?

publicado por tia rute às 21:22
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4 comentários:
De patupi a 15 de Abril de 2005 às 13:43
Não são ficção, mas não nos esqueçamos dos emigrantes portugueses que também não vingaram no estrangeiro porque também foram enganados por angariadores fraudulentos e dos imigrantes que cá estão e que até conseguem levar uma vida melhor. É preciso não esquecer o outro lado do espelho... Beijocas, madrecita!


De ferrus a 14 de Abril de 2005 às 12:45
Não são, não senhora!vejo isso muitas vezes, infelizmente! Castigo para quem causa esse indigno sofrer a quem procura ter uma vida melhor! Bjitos!!!


De Dali a 14 de Abril de 2005 às 00:31
Também há e houve muitos Dimitris portugueses. Como há Dimitris que cuja vida lhes irá sorrir. Que a vida lhes corra como eu quero que a minha me corra, bem. 1 abraço


De Carla a 13 de Abril de 2005 às 21:45
Infelizmente, a última é bem real para muitos. Felizmente que as duas primeiras também são reais. Um pouco mais de honestidade e menos ganância e as coisas ficariam distribuídas de melhor forma. O alcance da igualdade é possível, não é utópico. Há começar em cada um de nós para ser possível fazer a diferença. Texto com final triste, mas incrivelmente verdadeiro. Adoro a forma como te colocas em qualquer olhar :) Beijo grande :)


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