Sábado, 9 de Abril de 2005

Vida

penumbra.bmp


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Há muito que ali se encontrava, muda, inerte.

Sentia, mas não conseguia exprimir raivas, angustias, pequenas alegrias, qualquer sentimento que fosse.
A vida, no entanto, fervilhava-lhe nas veias, e ela sabia disso, sentia-o.Mas o seu corpo gelara.

Estava cansada...muito cansada.
Uma súbita, e insuportável pena de si mesma, invadiu-a.

Queria gritar! Queria fugir! O som teimava em não sair, a sua voz não se ouvia, os seus membros não lhe obedeciam.

Chorou lágrimas que não cairam...nunca chegavam a cair; secaram há muito tempo...

Num derradeiro impulso, reunindo todas as forças mentais que lhe restavam, pediu, implorou! Não suportava mais.

Foi então que viu a luz. Uma luz quente, intensa, que a envolveu numa aura branca. Uma calma imensa, quietude absoluta. De repente, todas as angustias e raivas, desapareceram, dando lugar, apenas, a essa sensação maravilhosa de paz.

A luz sorriu-lhe, estendeu-lhe a mão, e ela flutuou. Juntas, voaram para bem longe.
Iniciou, finalmente, a viagem que tanto desejara nos ultimos tempos.

Agora sentiu uma dor, alguem lhe bateu. Sem perceber como, a sua voz saiu. Um choro estridente ecoou naquele quarto. Todo o seu corpo se mexe! Tudo se agita! Ao seu lado, uma voz doce, de mulher, tenta acalma-la. Sente carícias na sua pele macia. Naquele quarto ouve mais choros, todos em uníssono. Choros de bebé...

Continua a não perceber, mas gosta do que sente.

publicado por tia rute às 14:44
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4 comentários:
De Carla a 10 de Abril de 2005 às 07:00
:))) Bela ideia! Hoje soube-me tão bem a conversa :))) Beijo grande, amiga querida.


De margarida_rr a 10 de Abril de 2005 às 01:29
Amiguinha, não fiques assim...:o((( claro que é giro ter um filho, ou mais. Claro que é um amor diferente, muito diferente de todos os que sentimos, porque é incondicional.Claro que é um desejo de quase todas as mulheres, mas nos tempos que correm, é tambem um risco enorme! Ás vezes, olho para os meus filhos, e penso,no que lhes poderá acontecer, e aos filhos deles, daqui a uns anos!! O mundo está tão mau....coisas tão graves se adivinham, que sinceramente, não sei o que é melhor: se ter...se não ter! Será egoísmo da minha parte? Não sei...mas penso tanto nisso!
De qualquer forma, tb não precisas de encontrar o principe encantado, para teres um filho...a moda agora, tb passa pla produção independente! :o))) Beijinho grande!!!


De Carla a 10 de Abril de 2005 às 00:55
E viva a maternidade :) Ontem caíram-me umas lagriminhas (já sabes que tens uma caçula muito lamechas) porque pensei em como adoro as minhas três miúdas de 4 patas mas como as vou ter por tão pouco tempo... que adoraria ter um filho e saber o que é o amor para lá do amor. Que eu partiria um dia e, pela ordem natural das coisas, ele ficaria cá a usufruir da sua vida e dando-lhe uma continuidade feliz com os seus próprios filhos. Acho que enquanto não se tem um filho, não se sabe o que é viver no amor. Não é viver o amor, é viver no amor, como um dia uma mãe disse. Não me assusta estar só, mas tenho saudades de ter o coração a bater, de amar e ser amada. E que esse amor seja tão bonito que haja vontade de gerar um filho. Só nessa altura estarei completa. Já me fizeste choramingar de novo, amiga... Demorei a ficar bem, tu sabes. Nem estou ainda a 100%. Digo que não estou porque nada me faz abrir as janelas de par em par. O tempo passa e talvez eu nunca venha a ter esse filho. A minha Margarida, como sempre sonhei. Acontece, eu sei. Não é o fim do mundo. Mas entristece-me não saber o que é viver no amor. Um beijo enorme, amiga querida.


De Ju a 9 de Abril de 2005 às 20:03
E eu gosto do que escreves! As tuas palavras podem ser intrepretadas de maneiras diversas. Parte delas transportaram-me para um aacontecimento que, presumo, ser sublime: dar à vida mais uma luz!


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