Sexta-feira, 1 de Abril de 2005

Alentejo





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Sendo eu uma alentejana de coração, mal parecia, não escrever aqui qualquer coisa sobre a minha região de eleição e de adopção! Alentejo da minh'alma!

Há algum tempo que lá não vou, mas o seu cheiro, a suas gentes, as suas anedotas e os seus "termos!", bem como a sua maravilhosa gastronomia, estão bem presentes,e irão ficar para sempre, em mim. Marca indelével da minha infancia e adolescência, passada em casa dos meus avós, numa pacata e linda vila, Mourão.

Mourão, fica na margem esquerda do Guadiana. A norte, avista-se Monsaraz, e a sul, Espanha,mais concretamente, Vila Nueva Del Fresno, uma pequena aldeia espanhola, que acabou por ser conhecida, quando aí foi descoberto o corpo do malogrado, General Humberto Delgado.

Longe vão os tempos, em que lá passava férias. Férias que nunca trocava por nada deste mundo! Como era bom....

Recordo os tempos,em que era ainda muito menina,e me sentava à porta numa cadeirinha pequena, trocando as voltas às formigas que faziam carreirinhos no passeio, e falando com quem passava, "boa tarde...atã que tal vai isso"?
Todos se conheciam, era uma grande familia.

Ainda hoje, quando quero, fecho os olhos e ouço o barulho das carroças a passar de manhã, para o mercado. Na altura, ficava zangada, queria dormir mais, mas hoje....como eu queria ouvir aquele som de novo!!!

E o cheiro? O característico cheiro do alentejo? Aquele cheiro, que só quem lá esteve, só quem ama o alentejo, sente!? É simplesmente maravilhoso....

Recordo tambem, e com muita saudade, o rio...o rio Guadiana, nos seus tempos áureos! Quando por lá corriam ainda, águas límpidas, com cheiro a poejo. Águas que deixavam ver, um a um, os seixos cinzentos, que eu apanhava e pintava...grandes obras de arte eu fiz! O ouriço, a lagartinha, a joaninha e outros tantos animais, em que eu transformava aqueles seixos. Onde estarão essas pedras?

Finalmente o cair da noite. Ainda hoje ouço as cigarras, os grilos...
Hora de passear. Novos e velhos, todos se juntavam no jardim, no centro da vila,ou às portas das suas casas, a gozar a noite. A noite alentejana, onde nem uma folha bulia!

Alentejo da minh'alma! Tão longe me vais ficando...

publicado por tia rute às 01:17
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7 comentários:
De Ju a 6 de Abril de 2005 às 06:04
Muito sentida esta tua partilha. Já te disse, creio, que os alentejanos são, dos provincianos, os que me parecem mais amar a sua terra.
Do Alentejo, que pouco conheço, gosto de todos os cantinhos. Jinho.


De Dali a 5 de Abril de 2005 às 00:42
Tens raízes numa zona que eu conheço mal. Mas hei-de conhecer. Abriste-me o apetite, com tantas palavras bonitas. 1 abraço, pintora


De emmep a 4 de Abril de 2005 às 22:20
Como é confortante ler alguem que fala a mesma linguagem!
Um beijinho


De Carla a 1 de Abril de 2005 às 16:42
Ai, amiga querida, quem assim fala, com tantos cheiros, sabores e cores na memória, nunca estará longe da terra que ama. Obrigada por este passeio tão bonito :) Um beijo enorme! :)


De observador a 1 de Abril de 2005 às 14:49
Belo, simplesmente belo! Poesia em prosa, direi.
Nada de tão belo como a vida bucólica, onde as pessoas se conhecem, se falam, onde o silêncio se ouve e onde o espaço nos parece infinito.
Gostei, de verdade. Parabéns!


De liny a 1 de Abril de 2005 às 06:39
Parece que sinto o cheiro do alentejo, e parece que oiço correr as águas do Guadiana. Não fui criada no alentejo, mas do que conheço gosto, e muito. Retratas fielmente o ambiente dessa região de há 20 anos atrás. Ou talvez um pouco mais? Bom, muito bom. Vou voltar mais vezes


De Dulce a 1 de Abril de 2005 às 01:43
Adorei visitar este blog! Se puderes, passa pelo meu, que comecei há pouco e ainda é uma criança... (como a noite, pois!) http://dulcineia.blogs.sapo.pt


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