Terça-feira, 29 de Março de 2005

Lembras-te?






Hoje dei por mim, a pensar em ti. Onde estarás?


Faz anos que não nos vemos. Não sei já quem és; sei que se me cruzar contigo , nem sequer vou reconhecer-te.

Hoje vi o rio..lembras-te do rio? Lembras-te das tardes que lá passamos, conversando, rindo, mandando conversa fora?

Costumavas mandar-me calar, para ouvires a água! Dizias que ela falava connosco, lembras-te? Uma vez até fizemos a conversa da água...conversamos tanto com ela, contou-nos tantos segredos. E até estava a ser uma conversa interessante...até eu ter-me desfeito a rir! Que tolos eramos, e que felizes!!

Lembras-te daquelas festas de verão, em que dançavamos até cair, em que passeavamos e cantavamos de mãos dadas, naquelas lindas e quentes noites de luar alentejano? Lembras-te? Quantas promessas fizemos...tudo em vão! Mas nessa altura não sabiamos que iria ser assim.

E os baloiços, lembras-te deles? Tantas tardes que andamos de baloiço. Tomavamos muito balanço, e lá no alto, apanhavamos folhas de amoreira com os pés, era a comida dos meus bichinhos da seda... lembras-te? Conversavamos sobre o que iriamos ser no futuro. Até chegar o guarda do parque e nos expulsar dali...ele não percebia que só queriamos brincar, nada mais.

Lembras-te da paixão que tiveste por mim? Lembro-me como se fosse hoje....não era paixão que eu queria de ti, mas estavamos no limiar da adolescência, as hormonas em ebulição...e tu, tu apaixonaste-te perdidamente por mim.
Eu disse que sim, porque tinha medo de te perder como amigo. Eu queria-te amigo, queria a tua amizade tão simples, e apenas isso. Claro que o nosso namoro durou pouco, era a amizade que nos unia! Amor, talvez...num futuro ainda tão longínquo...

E por falar no futuro, eu não cheguei a ser aquilo que te contei, e tu? Conseguiste ser médico? Era o teu sonho.

Agora recuei ainda mais no tempo, e sabes o que me lembrei?
Lembrei-me do jardim! Aquele lindo jardim florido, onde tantas vezes apanhaste flores para me oferecer, lembras-te? Amores-perfeitos, e malmequeres, as minhas flores preferidas.

Estás na bicicleta, a tua bicicleta vermelha, e tens vestida a camisola azul clara, aquela que eu gostava muito! Terás uns 9 anos, talvez? Não sei...já não sei, passou tanto tempo.
Não sei porquê, hoje pensei em ti. Há tantos anos que não te vejo. Onde estás? Quem és?
Meu amigo....

publicado por tia rute às 06:07
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7 comentários:
De liny a 1 de Abril de 2005 às 06:33
Parabéns pelo blog. Muito bom. Vim aqui parar por acaso,e adorei.Continua, tens alma de escritora!


De margarida_rr a 31 de Março de 2005 às 00:54
"Eu enfrentava os batalhões/ os alemães e seus canhões, guardava o meu botoque, e ensaiava o roque/ para as matinés" ! Se me lembro! Adoro essa canção. Aliás, adoro Chico Buarque. E à minha maneira, tb adoro as minhas ricas filhas e amigos!!! Chuakkkk para todos!


De Carla a 30 de Março de 2005 às 17:09
Eu sei-a de cor, ehehehe! Adoro essa canção :)) Adoro-vos, sabiam? :))


De patupi a 30 de Março de 2005 às 09:36
Engraçado pensar naquelas pessoas que eram tão importantes na nossa infância e depois se perdem no tempo. Lembra-me uma canção do Chico Buarque chamada "João e Maria"... começava assim: "agora eu era o heroi e o meu cavalo só falava inglês/ a noiva do cowboy era você além das outras três...". Lembras-te desta canção, madrecita?


De Dali a 29 de Março de 2005 às 19:43
Eu também tive dessas aventuras amorosas de infância e adolescência. Também as recordo de vez em quando. Com um sorriso e nostalgia q.b., também me ocorre essa pergunta, que é feito desta gente?


De margarida_rr a 29 de Março de 2005 às 18:00
É verdade amiguinha, também tu fazes parte desses tais que amo,e me rodeiam! Fico feliz por te ter conhecido. Tarde, mas veleu a pena!! E também é verdade que ás vezes nos lembramos de pessoas, que nos foram e ainda são, muito queridas. Pessoas essas, que povoam as nossas recordações de infância e adolescência, com muita ternura.Este é um dos casos. Ontem, não sei porquê, recordei-me dele, e de muitas das cosias que fizemos juntos...Beijinhos grands!


De Carla a 29 de Março de 2005 às 11:11
Que texto tão doce, amiga querida! Que bom ter amigos especiais, apanhar folhas de amoreira para os bichinhos da seda e andar de baloiço! Só nunca tive com quem ouvir a água, mas acho que ainda vou a tempo :) Por vezes é assim mesmo, vêem-nos amigos especiais à memória e ficamos a pensar o que será feito deles e se estão felizes... Um beijo enorme :)


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