Terça-feira, 7 de Dezembro de 2004

Gatos





Hoje, e depois de uma conversa tida com amigos, sobre gatos, resolvi falar deles, uma vez que são os meus animais preferidos.
Choca-me, muitas vezes o facto de haver pessoas, que não só, não gostam de gatos, como mais grave, os odeiam ao ponto de lhes fazerem mal. Não entendo esta aversão que muita gente tem, em relação a este animal, meigo,dedicado,e contráriamente ao que se pensa, fiel ao seu dono. E a provar isso, entre outras coisas, queria deixar aqui o testemunho na 1ª pessoa, do que um gato é capaz de fazer, e como ele se comporta, quando tratado com carinho.
Desde miuda, sempre adorei gatos. Não me perguntem porquê...talvez por ter nascido no mês deles?(Janeiro)
Qualquer gato que encontrava na rua, tivesse dono ou não, eu levava para casa. Lembro-me que em casa da minha avó, no Alentejo, cheguei a "coleccionar" 18 gatos! Só mesmo a minha avó, para aturar uma coisa destas...
Claro que aqui em Lisboa, na casa dos meus pais, não podia coleccionar, e sendo assim, tinha um. O meu Tico.
Era um siamês,lindo, meigo, e de uma inteligência enorme.
O meu Tico, nutria por mim, uma paixão profunda, à qual eu correspondia em pleno.Aliás, eu costumava inventar, que ele era um principe encantado, que um dia iria voltar à sua forma habitual,quebrado o feitiço, e então, seriamos felizes para sempre...eu tinha 8 anos.
Por essa altura, comecei a aprender a tocar viola. Pois bem, o meu Tico, ficava horas, a olhar para mim, completamente encantado, ouvindo-me tocar e cantar. Uns anos mais tarde, andava eu já no liceu, aconteceu uma coisa curiosa. Eu estava a fazer a minha hegiene matinal, e ouvi a minha mãe falar, pedindo-me que parasse com a viola, porque o meu irmão, ainda dormia. Eu estava na casa de banho, e achei estranho...quem estaria a mexer na viola?! Fui ao meu quarto, e qual não foi o espanto : quem "tocava" viola, era, nada mais nada menos, que o meu Tico! A viola, encostada à parede, e ele, dava dentadinhas nas cordas, e afastava a cabeça, para ouvir o som...com o ar mais cómico deste mundo!
Este gato. era um autêntico cão. Dava-me beijinhos (lambidelas) e fazia-me festas, com as suas enormes garras, arrepanhando a pele da minha cara,mãos, ou o que ele apanhasse mais a jeito. Nunca me arranhou, nunca!
Conta a minha mãe, que ao aproximar-se a hora habitual de eu regressar da escola, ele sentava-se no hall de entrada à minha espera. Antes mesmo de eu tocar à campaínha, já a minha mãe sabia que eu estava a chegar, porque ele ficava agitado, e corria pla casa toda! Era, ou não, um gato-cão?
Anos mais tarde, tive de o dar.Era já velhinho, quando a minha filha nasceu. E só por ela, eu fui capaz de me desfazer dele. Era alérgica a gatos, e não houve outra solução. Foi para o alentejo, para casa da minha avó, mas não se deu por lá. Não estava habituado a quintais, e era uma luta constante com os outros gatos que por ali andavam. A minha avó acabou por dá-lo a um casal que tinha um restaurante.
Fui visita-lo algum tempo depois. Já estava cego, era arisco, e raramente saía da cadeira onde se habituou a estar, não permitindo sequer, que lhe fizessem festas.
Quando eu entrei no restauante, lá estava ele, aninhado na tal cadeira. A dona, recomendou-me cuidado....
Apenas falei :
- Tico, meu gato lindo...é a dona!
Ele, levantou a cabeça, começou a ronronar, e espreguiçou-se. Peguei-lhe ao colo, como tantas vezes fiz,em posição de bebé....e ele, esticou as patinhas, fez-me as festas habituais, e depois de lhe ter pedido, deu-me vários "beijinhos". Foi a nossa despedida. Nunca mais nos vimos.Viveu comigo, 15 anos!
Hoje, tenho outros gatos,nunca deixei de conviver com esta espécie. São igualmente meigos,e fazem muitas gracinhas(uma gata que tenho, até brinca comigo às escondidas) mas não queria deixar de contar aqui, que um gato, dependendo do tratamento que tem ,por parte dos seus donos, pode de facto, ser um autêntico cão! Basta que confie no dono...
Gostava que fossem mais apreciados,compreendidos, e que acima de tudo, não fossem mal tratados, pelo simples facto de serem...gatos!

publicado por tia rute às 15:46
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7 comentários:
De angobo a 14 de Dezembro de 2004 às 03:45
Olá !
Para ires directa ao "objectivo = gato; viola", é este: http://luisavo.no.sapo.pt/isidoro/page5.html, para veres a pág.completa, blá blá blá/isidoro/index.html, se quiseres veres o sítio completo, entra no link da Home page.


De angobo a 13 de Dezembro de 2004 às 02:54
gatos... violas... visita esta pagina (http://luisavo.no.sapo.pt/isidoro) e compreenderás como eu te "compreendo". O Isidoro esteve comigo 14 anos. às vezes,eu, na brincadeira e tentando surpreender quem estivesse em casa, tentava entrar sem fazer barulho, mas ele não deixava... mal me pressentia, ali se punha ele, no meio do hall, a olhar para a porta... claro que toda a gente "ficava avisada".


De moon_shine a 13 de Dezembro de 2004 às 01:50
Olá!Olha,li o teu post e identifiquei.me completamente:revolta-me tanto a raiva k tanta gente tem dos gatos.Eu sou completamente fascinada por gatos,tenho 4 gatos e por mim tinha mais nao sei quantos nao fosse yrt tb 3 cadelas e a minha mae matar-me!
Eu adoro gatos pk tem uma personalidade mto vincada;nunca ha um gato igual ao outro;entendem-nos com um olhar,sao elegantes,independentes mas mto meigos,brincalhoes,enfim..
Beijos


De NARCOSIS FUJIYAMA a 8 de Dezembro de 2004 às 20:15
Ola, eu tambem desde pekenino sempre gostei de gatos sempre foi o meu animal preferido e sempre será,sinceramente nao consigo viver sem gatos.Apesar de ter agora um bastante selvagem ninguem lhe pode tocar(a nao ser a minha mae)pra alem dela kem lhe tocar habilita-se a uma dentada e a um arranhao.
bjs


De ferrus a 8 de Dezembro de 2004 às 11:20
tenho uma gata, a india. Por força das partidas da vida não se encontra comigo.
Qd vou á sua casa nova, não me deixa enquanto não lhe der mimos...:-)
Sabe quem é o dono e não é cão, nem lhe reconheço habilitações para cão gato :-)
Bjitos, rute


De patupi a 8 de Dezembro de 2004 às 00:59
Ah, madrecita! Fizeste-me ficar com um nozinho na garganta. Eu adoro gatos, desde sempre. Quando nasci, os meus pais tinham um gato, o Xavier. Com ele aprendi a fazer um som de gato com o qual eu e o Xavier comunicavamos. Ele tinha um sonzinho só para mim. Também foi por causa dele que comecei a gatinhar cedo. O Xavier foi o primeiro de muitos gatos que, infelizmente, tiveram vidas breves mas que marcaram profundamente quem com eles conviveu. Os meus gatos actuais são uns mimalhos da mãmã... Dormem comigo - não sou senhora de fechar a porta do meu quarto - e o meu Leonardo faz o que o teu Tico fazia: faz festinhas com as patitas dele na minha cara sem nunca arranhar. Adoro-os! São os meus meninos e quando penso que há selvagens que os podiam maltratar arrepia-se-me a alma! Um miau grande dos meninos e uma beijoca enorme minha para ti!


De Nuno a 7 de Dezembro de 2004 às 19:38
Uma história muito bonita, sem dúvida alguma. 15 anos, é obra, do gato e da dona.
Gostei do gato-cão.
1 abraço, contadora de histórias.


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